A indústria agrícola passou por mudanças significativas nas últimas duas décadas, impulsionadas principalmente por avanços tecnológicos e mudanças nas demandas do mercado. De acordo com o Censo Agrícola de 2022 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em ingês), o número de fazendas no país diminuiu em 141.733, ou 7%, entre 2017 e 2022.

Com a safra de inverno mais lenta se aproximando e a atual incerteza do mercado, os produtores ligado diretamente a indústria agrícola de commodities têm várias considerações importantes sobre suas futuras necessidades de capital, como é o caso do produtor americano Philip Taliaferro, diretor de agricultura da Lendio, cuja família tem uma longa presença na agricultura que remonta a séculos na Virgínia, estado no sudeste dos EUA e que se estende desde a Baía de Chesapeake até os Apalaches.
Hoje, a Lendio operam dois negócios: uma operação agrícola tradicional que abrange aproximadamente 2 mil hectares de produção e um negócio de soja de qualidade alimentar que incorpora propriedade intelectual e gestão avançada da cadeia de suprimentos. A empresa foi fundada em 1943 pelo avô do executivo e foi incorporada em 1973, quando seu pai e tios retornaram à fazenda.
Philip compartilhou as restrições de capital que agricultores como sua família enfrentam. A reportagem também destacou os sentimentos que os agricultores estão expressando hoje e considerou o que eles podem fazer para navegar pelas safras mais lentas que se aproximam.
Estações agrícolas irregulares são comuns
Existe uma ciclicidade natural na indústria agrícola que requer despesas significativas com insumos. Nos Estados Unidos, as principais exportações agrícolas incluem grãos e rações, soja, produtos pecuários, nozes, frutas como maçãs e laranjas, e vegetais como alface e batatas.
Muitas vezes, isso significa comprar sementes, fertilizantes e produtos químicos na primavera e esperar cerca de seis meses antes que a colheita seja realizada. Esse cronograma de investimento inicial pode ser estendido ainda mais, dependendo do processo de armazenamento e vendas. Além disso, a volatilidade climática pode levar a flutuações aumentadas na receita.
Para o negócio de exportação de soja da família de Philip, suas despesas ocorrem tipicamente em outubro e novembro, enquanto a receita é gerada durante os meses de inverno e primavera.
Independentemente da cultura, agricultores em todo o país enfrentam defasagens significativas na produção e na receita, que dependem de inúmeras variáveis, muitas das quais estão além de seu controle.
O sentimento agrícola parece sombrio
Hoje, os agricultores estão em grande parte ambivalentes em relação ao seu futuro sustento. Uma pesquisa divulgada pela National Corn Growers Association (NCGA) em meados de setembro revelou que 46% dos entrevistados acreditam que os EUA estão à beira de uma crise agrícola, enquanto outros 33% expressaram incerteza.
De fato, a agricultura passou por uma evolução significativa ao longo dos anos. O número de fazendas tem diminuído constantemente, enquanto o tamanho médio das fazendas tem aumentado rapidamente.
Estas não são mais pequenas operações familiares; elas se tornaram empresas multimilionárias. As fazendas que alcançaram a lucratividade estão se beneficiando de precificação de commodities mais sofisticada, estratégias de opções e gestão financeira aprimorada.
A questão é: como as operações familiares menores podem se manter viáveis durante as temporadas mais lentas?
Entendendo o que os agricultores podem controlar
Os agricultores têm controle limitado sobre o clima e só podem influenciar a política econômica até certo ponto. No último ano, mudanças macroeconômicas significativas pressionaram ainda mais os agricultores. No lado dos custos, houve aumentos substanciais nos custos de insumos, nas despesas com equipamentos e nos preços das terras agrícolas.
Isso resultou em uma estrutura de custos alta e inflexível, o que deixa os agricultores financeiramente limitados quando sua receita está em risco.
Agricultores de todos os tamanhos têm várias ferramentas à sua disposição para enfrentar seus desafios. Primeiro, eles devem identificar o problema específico que estão tentando resolver, avaliando suas necessidades de capital.
Eles estão buscando capital de giro de curto prazo para resolver um problema imediato, financiamento de médio prazo para atualizações de equipamentos, ou estratégias de longo prazo para resiliência, como melhorias de terra?
O USDA oferece programas de assistência financeira para apoiar agricultores e pecuaristas em momentos de necessidade, e o recente corte na taxa de juros do Federal Reserve oferece flexibilidade útil por meio de seu programa de empréstimos, garantindo que os agricultores possam tirar proveito de futuros cortes de juros.
Acima de tudo, os agricultores não devem esperar até precisar desesperadamente de um empréstimo, especialmente quando o fluxo de caixa está apertado e imprevisível. Em vez disso, agora é um excelente momento para solicitar financiamento para garantir que estejam em uma posição forte durante os meses de inverno mais lentos.
Isso é particularmente importante, pois eles estão saindo de suas safras de colheita e podem relatar um fluxo de caixa saudável, o que lhes proporcionará termos de empréstimo mais favoráveis quando mais precisarem.
Fonte: https://forbes.com.br/forbesagro/2025/10/assim-como-brasileiros-pequeno-produtor-dos-eua-esta-com-problemas-de-credito/